11 novembro 2003



Com o calor, volta pra dentro de mim, um riso farto, uma volúpia, um desejo de sei lá o quê bem gostoso, uma folia, uma pornografia, um fogo nas ventas, uma frevioca, uma paixonite, uma tesão descontrolada. Uma orgia.
Se morasse no Rio ou na Bahia, eu seria um atentado ao pudor.
Nesta "terra friorenta" alguma coisa ainda me controla. Mas o verão não tarda, atentem pois de hora pra outra, posso me tornar uma lenda urbana !!!
Orelhão

Que atire a primeira pedra, quem nunca ficou com a orelha encaixada em plena conversa alheia. No meu caso, encaixei logo a cara inteira. Comecei prestar atenção, porque um moço desabafava com um amigo as mazelas de sua vida. O interessante é que ele descrevia fatos absurdamente iguais aos da MINHA vida. Irritantemente iguais. Eram minhas, as palavras saídas da boca do rapaz. Me aproximei para ouvir melhor. Ficamos lado a lado. E a cada cena fui ficando mais angustiada... Será que minha vida é tão comum a ponto de ser vivida por outra pessoa ? E meus argumentos ? Mas o mais interessante, foi observar as reações, que eu julgava tão femininas, vindas de um rapagão. Ele pensa como eu. Eu sinto como ele. Irresistível, me intrometi. Pedi desculpas pela indiscrição, e me enfiei no meio da conversa. Que maluquice. Trocamos comentários, discutimos experiências e quando nos despedimos, saí rindo sozinha... Meus monstros cabeludos não são só meus, são como os gatos que se dividem para vários donos. Bom saber, não perco mais tempo alimentando-os...

08 outubro 2003

Já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre, nunca o mesmo passo.
Morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso e clareia a alma.
Morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma.

Paulo Leminski


A onda agora é dar um tempo nos blogs. Tem um monte de gente parando... Então pra variar acho que vou dar uma "voltadinha" di levis... Não é promessa, é só uma vontadinha...

29 julho 2003



A raposa calou-se e considerou por muito tempo o principe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares sempre na mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... é preciso ritos.

...


- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples, só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu é responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.



...


- As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém...

- Que queres dizer?

- Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir!

E ele riu mais uma vez.

- E quando te houveres consolado (a gente sempre se consola), tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E abrirás às vezes a janela à toa, por gosto... E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Tu explicarás então: "Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!" E eles te julgarão maluco. Será uma peça que te prego...

E riu de novo.

Haku me ensinou que, se você esquecer seu nome, jamais conseguirá voltar.
Ainda bem que eu me lembro do meu...
My life as McDull


Nem sempre a vida é fácil...

24 julho 2003

O carro novo de Mike



QUAQUAQUAQUAQUAQUAQUAUQAUQUAQUA !!!!
Só existem dois dias em que você não pode fazer absolutamente nada para mudar sua vida: ontem e amanhã.

Ah! Estes budistas maravilhosos...
Dia a dia na Babilônia:

Ontem foram só coincidências, ingressos esgotados, um moço de olhos cor do céu perguntou se eu queria um ingresso: imagine minha resposta. Ele me deu. Entrei, tudo lotado, eu e um saco gigante de pipocas ultra-salgadas. Lá no meio do nada, um sorriso. Fui. Uns meninos estavam disputando alguns lugares para sentarem-se próximos a seus amigos. Dança da cadeira, sobrou uma, sentei. Chorei de rir com a brincadeira. A pipoca já estava elevando a minha pressão a 25/20 e eu tendo alucinações com qualquer tipo de líquido que me escorresse pela garganta, quando meu companheiro do lado pediu pra eu guardar o lugar para ele.
_ Claro, fique tranquilo !
Quando ele retornou quase chorei, o iluminado me trouxe um suco para agradecer a gentileza por eu ter cuidado de suas coisas .
DEUS EXISTE !
Viramos companheiros de cela. Trocamos balas e comentários. Voltei pra casa feliz.
Hoje, começou tudo de novo, correria, fila, meus atrasos. Cheguei no cinema (pra variar, lotado), lá com o queixo colado na tela, dois lugares, fui seca. Sentei, logo em seguida, outra maluca perdida. Tá guardado esse lugar ? Não. Ebaaa!!! Puxou papo. Companheiras de cela em menos de trinta segundos. Bel, médica, risonha, maia, inteligente de dar gosto. Dividimos os petiscos e as risadas, trocamos telefones, marcamos uma cerveja. E eu voltei pra casa feliz, feliz...
Quando eu penso em Festival de Animação, vejo o quanto essas palavras podem ser mágicas.
ANIMADONA !!!
Que saudade do meu casaco de lã laranja ! Era o maior sucesso nos tempos dos bailinhos de garagem. Juro que se eu ainda o tivesse, vestiria amanhã no show do Hildon. Duvido que ele tenha esquecido vestuário tão bizarro.