12 janeiro 2007

Linha do Tempo (ou Bem Vindo a Paramim)


Ao analisar o decorrer da minha existência é possível perceber casos de apêgo a lugares. Na década dos meus 20, houve um grude com uma cidadezinha perdida no interior das Minas Gerais. Passei pelo menos dez anos fugindo para lá sempre que possível, era tanta afinidade que as pessoas achavam que eu era filha da terra.Também eu achava.
Quando chegou a década de 30, sem que ninguém me levasse ou sugerisse o roteiro, uma força estranha me levou pra uma cidadela praiana do Rio de Janeiro. Foi algo tão avassalador que tenho suspeitas de encerrar minha carreira por lá.
Virou costume eu iniciar o ano por aquelas bandas, como quem fica em casa para receber visita. Eu recebo o Verão por lá e depois o levo pra passear.
Assim foi este ano também. O verão chegou trazendo uma chuva contínua, mas nem por isso foi menos maravilhoso...
Todas as noites ao caminhar por aquelas ruas de pedra, a cada esquina uma surpresa ficava à espreita.
Ô Terra abençoada pra se paquerar.
A dança do acasalamento é um ritual que contamina a todos.
Você caminha como quem procura o lugar certo para se encaixar, e enquanto não acha não dá vontade de parar.
O desejo da onisciência.
Sinto que se ficar parada, sentada na praça da Matriz, jamais saberei o que rola no boteco da esquina da Praça do Chafariz, e muito menos quem sentou no Bar do Alemão e puxou um violão...
Ai que inferno !!!
Então caminho, caminho , caminho...
Eita footing abençoado, me rendeu tantas alegrias...
Na esquina mais movimentada do planeta, numa única temporada, matei um ídolo, me apaixonei, me rendi à tentação da carne, arranjei encrenca, paguei mico e me esbaldei em gargalhadas...
Pobre Brasília, não tem esquinas !
Ainda tenho tres anos antes do início de uma nova década e quem sabe a adoção de um outro território. Por enquanto vou abastecendo o tanque com muita Gabriela, escrevendo poemas sentada no Café Pingado, sonhando com a casinha branca na extrema esquerda do Pontal, rezando pra cair nas graças de algum Deus Ébano do quilombo do Campinho, esculpo mentalmente o mastro da bandeira que vou fincar na São Gonçalo, tombando-a como "Patrimônio Symon da Humanidade Veranística", ouço os Cirandeiros ao fundo, sinto o cheiro do peixe fritando e já imagino o potão cheio do melhor sorvete do planeta !!!
Sentar no fim da tarde no Uri, tomar uma cerveja e olhar o movimento, dormir as seis da tarde pra acordar a uma da matina e dançar até o sol nascer...
Enfim, fazer um esforço tremendo pra reclamar de alguma coisa e não ter criatividade pra inventar um motivo digno de stress... Talvez algum argentino atrevido a me encher o saco, talvez o doido do Dinho botar a Cúmbia pra tocar, ou quem sabe o moço bonito que disse que voltava e nada... Quanta bobagem !!!
Deitar as sete da manhã e agradecer ao infinito, pedir sol, dormir feito pedra, acordar tres horas depois pra começar enfim tudo de novo, amém !

2 comentários:

Anônimo disse...

EEEEEEEEEE!!!!!
Verão pra sempre em nossas vidas, porque em nossas mentes e corações, já é!!!
Precisamos sentar num boteco de novo pra colocar as fofocas em dia.... balada não dá pra conversar, ainda mais no prego que eu tava ontem.
E aí? depois que fui embora aconteceu muita coisa?

beijooooooo

Valterlei Borges disse...

... Amém!