
A vida na Babilônia é marcada pela rotina.
Todas as manhãs, mesma coisa, acordo atrasada, café no botequim, comenta-se o futebol, correria pra pegar o trem, e dentro dele é o mais do mesmo: a solidão e a musiquinha.
Pra onde você olhar verá: pessoas e seus players. CD, mp3, radinho de pilha, cada qual com seus fones de ouvido e seus misteriosos semblantes. O retrato 3X4 da metrópole insensível.
Ninguém ouve ninguém, ninguém tem noção do espaço público, pouco importa se quem senta ao seu lado é um elefante cor-de-rosa.
Cada um se dispersa em sua própria trilha sonora. Celulares tocam e ninguém atende, o condutor anuncia as estações para ninguém, os vendedores esfregam a mercadoria em seu corpo tentando buscar um desejo perdido. Nada, só o silêncio de cada um no seu som.
Estranho viver aqui...
Posso cantar tranquila, o máximo que estranham é alguém que move os lábios com tamanha volúpia...