08 janeiro 2006

Anamnese




Doida.
Isso mesmo, completamente doida.
São tantos sentimentos dentro de mim, que eu deveria ser estudada.
Aflorados. Jorrando, cristalinos, com abundância admirável.
De uma tamanha intensidade que é preciso ser forte pra sobreviver.
Sim, eu sou DRAMÁTICA. E isso é uma maravilha. Sou teatro, sou orquestra, sou escola de samba, sou circo. Rufam no meu peito tambores negros. Um afoxé !!!
No cinema, rio, choro, descabelo, saio com uma cara de quem bateu-apanhou-lutou-sofreu-venceu-chegou. No teatro, vontade era subir e dividir o gozo. Nas ruas tudo é fotografia, no mundo tudo é deslumbre, na arte tudo é prazer e dor.
Que peito aguenta tudo isso ???
Precisava ser esse mundo tão cheio de poesia e crueldade ?
A música tira o espírito de dentro do meu corpo e dá um nó, depois devolve no lugar aquela coisa que não vai encaixar até o dia em que eu aprender a dançar...
Durante a faxina, salto, pulo rodopio, faço baliza com a vassoura. Passo pelo espelho espicho o olhar e vejo a louca... Pobres vizinhos...
Será karma ???
Energia Nuclear. Todas as minhas células reagem emoção. Tudo demais... É lágrima de alegria, é lagrima de tristeza, é lágrima de chorar de rir...
Um descontrole !!!
E a preguiça, vixi, nem falo... Vontades e desejos à flor da pele... Compulsão.
Sonhar ? Qual nada. Nem dá tempo. É tanta coisa pra ver, tanto lugar pra ir, tanta coisa pra aprender, que 300 anos seriam fichinha, dariam nem pro café...
Mora dentro de mim um buraco sem fundo.

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