
foto:Acervo Vera cruz
Sei que não é uma brincadeira exclusivamente minha, conheço um monte de gente que brinca também, mas com certeza é uma das minhas favoritas.
De verdade nem encaro como brincadeira, me permito a pensar que é mesmo real, e me divirto.
Imagino que há uma câmera filmando a história de cada um de nós.
No meu filme, chego a fazer direção de fotografia, figurino, me preocupo com continuismo, contra-regra, trilha sonora...
Admiro embasbacada cada cena, cada enquadramento...
O cenário eu só aprecio, só posso interferir no da casa da mocinha, hehehehehe...
Mas por estas coisas da vida vim morar num cenário de beleza incontestável.
Mudou tudo, o enredo, a personalidade da personagem central e a velocidade das coisas...
Tudo é contemplação, virou quase um documentário.
Meu olhar agora anda grudado numa lente macro.
Quero ver quase por dentro de tão perto, tudo, gente, bicho, pedra, flor.

foto:Symon Days
Virei o personagem de um documentário sobre as belezas de um lugar abençoado pela natureza e com aspectos antropológicos pra lá de intrigantes.
Na semana passada teve o 1º Festival de Cinema Internacional daqui. Iniciativa bacana, filmes bem selecionados, tenda climatizada montada na praça principal e tudo gratuito.
Minha mente com ranço babilônico pensou: Vixe, vai lotar !
Uma voz tranquila e experiente me disse: Vai nada !
Tinha razão. Assisti todas as sessões que desejei, sem fila, sem tumulto e melhor, sem gastar um tostão.
Mas o melhor de tudo foi ver “por dentro” o cinema da cidade, que está fechado há quarenta anos. Aqui as reformas custam sair pois por serem patrimônios históricos, existe um cuidadoso trabalho de restauração.
Que lindo é o cinema daqui, suas paredes estão sem a massa deixando expostos os tijolos originais, o que dá ao local um aconchego de casa de fazenda, chorei quando vi.
O chão apenas cimentado, os bancos colocados apenas para o evento poderiam ficar assim como estavam para sempre. Confortável e informal, ameiiiii!!!
foto:Symon Days
As caras que rondavam pelo evento, como sempre, era na sua grande maioria de turistas.
Isto me assusta:
os moradores não tem o hábito de desfrutar de toda oferta de coisas que há por aqui.
No sábado do festival onde estava a galera da faixa etária dos 15 aos 25 anos?
No baile funk, é claro.
30 mil habitantes, uma sala de 300 lugares, filme brasileiro bom e gratuito e onde estão os jovens, no baile funk.
Valha-me Deus ! Educai-nos ó pai !
Mas enquanto esperávamos o milagre, eu e mais 299, dentre eles o Príncipe Legítimo (que também tem sua casinha por aqui...) desfrutamos da oportunidade que nos foi dada.
E paralelamente eu estrelando meu documentário pessoal:
• sentei atrás do Príncipe Gato, ouvi seus comentários a um amigo ao sair da sessão:
” Nossa nunca vi tanta mulher dentro de uma sala de cinema !!!”
Huahuahuahua, não nega a genética nem a História!!!
• comi um lanche, peguei minha bike, e lá fui em direção à roça, passei em frente ao baile funk que bombava e aumentei o número de questionamentos dentro da minha cabecinha:
Será que ao menos a Lua Cheia eles enxergam?
foto:Symon Days